Intolerância ou alergia?

APLV não é o mesmo que intolerância à lactose

A APLV é diferente da intolerância à lactose e o seu tratamento também (quadro 1).

A alergia é uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas, proteínas dos alimentos, de ácaros, de pólen, de pelo de animais, etc. Portanto, a APLV é uma reação às proteínas do leite (ex: caseína, alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina).

A intolerância é decorrente da dificuldade do organismo em digerir à lactose, açúcar do leite, devido à diminuição ou da ausência de lactase, enzima que a digere.

Digestão de lactose

A expressão “alergia à lactose” é errada e não existe, pois a alergia é uma reação à proteína e a lactose é um açúcar.

Quadro Diferença entre IL e APLV

APLV Intolerância à Lactose
O que é Reação do sistema imunológico à(s) proteína(s) do leite de vaca Dificuldade do organismo em digerir e absorver o açúcar do leite (lactose) devido à diminuição ou ausência de lactase (enzima que digere a lactose).
Em que idade é mais comum? Muito mais comum em crianças, especialmente em bebês. Adultos raramente têm alergia à proteína do leite de vaca. É mais comum em adultos e idosos do que em crianças. Também pode ser uma consequência, às vezes temporária, em casos de diarreia prolongada ou doenças inflamatórias intestinais.
Quais os sinais e sintomas? Um ou mais dos seguintes sintomas: digestivos (vômitos, cólicas, diarreia, dor abdominal, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes, refluxo, etc.), cutâneos (urticária, dermatite atópica de moderada a grave), respiratórios (asma, chiado no peito e rinite), reação anafilática, baixo ganho de peso e crescimento. Podem ocorrer em minutos, horas ou dias após a ingestão de leite de vaca ou derivados, de forma persistente ou repetitiva. Apenas intestinais: Diarreia, cólicas, gases, distensão abdominal (barriga estufada). Podem ocorrer em minutos ou horas após a ingestão do leite de vaca.
Como é feito o diagnóstico? Pelo médico. Inicia-se pela história clínica, associando os sintomas à ingestão do alimento suspeito. Alguns exames podem ajudar, mas o diagnóstico é confirmado apenas quando há remissão dos sintomas durante a dieta isenta das proteínas do leite e retorno após o Teste de Provocação Oral. Esse teste consiste em reintroduzir o leite em pequenas e progressivas doses e deve ser realizado na presença do médico. Pelo médico, por meio da observação dos sintomas associado à ingestão do alimento com lactose. Em alguns casos são solicitados exames específicos.
A mãe pode continuar amamentando o filho no peito? SIM, e DEVE. Neste caso, a mãe que amamenta deve seguir uma dieta especial isenta de leite, derivados e alimentos que possuem as proteínas do leite, sempre sob a orientação de um médico e/ou nutricionista. SIM. O leite materno deve ser sempre o principal alimento oferecido ao bebê. É muito raro ocorrer intolerância à lactose durante o aleitamento materno, pois apesar do leite materno ser rico em lactose ele possui agentes facilitadores que auxiliam sua digestão.
Se o bebê não estiver mais mamando no peito, é preciso que ele siga alguma dieta especial? SIM. É necessário retirar o leite de vaca e seus derivados da dieta, além de todos os alimentos preparados com as proteínas do leite. ATENÇÃO aos alimentos industrializados, que podem conter leite ou ingredientes derivados (como, por exemplo, caseína, caseinato, soro do leite ou proteínas do soro). SIM, mas o tratamento da IL é dose-dependente, ou seja, o aparecimento dos sintomas depende da quantidade de lactose ingerida. Não é necessário fazer a exclusão total de leite e derivados na dieta, apenas definir quanto o indivíduo consegue tolerar. Algumas pessoas conseguem consumir derivados de leite sem apresentar sintomas, uma vez que eles possuem menos lactose que o leite.
Bebês não amamentados precisam de algum leite ou fórmula especial? SIM, O médico e/ou nutricionista irão indicar a fórmula mais adequada de acordo com a idade e o tipo de reação que a criança apresenta (veja o material comparativo entre as fórmulas no site). ATENÇÃO – leite de cabra ou de outros mamíferos (ovelha, búfala) não são indicados para APLV, pois suas proteínas são semelhantes às do leite de vaca e podem causar as mesmas reações na criança. SIM. Crianças de 0 a 2 anos podem utilizar fórmulas especiais isentas de lactose. Acima de 2 anos os produtos com baixo teor de lactose são bem tolerados.

A dieta da criança com APLV deve ser isenta de alimentos que possuem as proteínas do leite.

É importante diferenciar a APLV da IL e dissociar a expressão “lactose” do tratamento da APLV, pois alguns alimentos sem lactose possuem as proteínas do leite e não podem ser consumidos por crianças com APLV (ex: leite sem lactose, e alguns alimentos industrializados como exemplificado na figura 1).

Esse chocolate da Nestlé é realmente isento de lactose (açúcar do leite). Porém, por conter gordura anidra do leite (gordura do leite isenta de água) pode conter proteínas do leite. Assim como a manteiga clarificada (Ghee), não é possível remover toda proteína ao extrair a gordura do leite. Portanto, existe o risco de conter proteínas do leite nesses ingredientes e eles devem ser evitados.

Em contrapartida, o chocolate sem lactose da Cacau Show (por exemplo) não possui nenhum ingrediente com proteínas do leite e não é preparado no mesmo maquinário que outros que possuem leite. Portanto, ele não contém lactose e proteínas do leite. Por essa razão, pode ser consumido por crianças com APLV.

Chocolate

Atenção: mesmo que o alimento seja isento ou 0% lactose é preciso ler o rótulo e checar se ele é isento de ingredientes que contêm as proteínas do leite.

Zero Açúcares, 0% lactose, 50% de cacau, apenas 94kcal. Sua dose diária do delicioso chocolate NESTLÉ®.

Ingredientes: Cacau, polidextose (fibra alimentar), gordura anidra de leite, edulcorantes natural maltitol e artificial sucralose, emulsificantes ricinoleato de glicerila e lecitina de soja, aromatizante. Contém Glúten. Contém traços de amendoim.

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