Guia APLV

As etapas do diagnóstico da APLV: da suspeita à confirmação

Uma visita ao médico não é suficiente para definir se a criança tem alergia ao leite de vaca

Nada deixa os pais tão aflitos quanto uma condição de saúde não identificada, não é mesmo? Por isso, o diagnóstico da APLV entra na lista dos assuntos que deixam a gente ansioso. Afinal, definir se uma criança é alérgica ao leite de vaca não é fácil e nem rápido.

O diagnóstico da APLV não é feito em apenas uma consulta. Ele começa com a suspeita, passa pela história clínica do paciente e só é concluído com testes de provocação oral ou com os resultados da dieta de exclusão.

O primordial é estar atento aos sintomas suspeitos e não demorar a levar a criança ao médico. Isso evita que o diagnóstico seja uma fase demorada e turbulenta. Os sintomas da APLV são bastante diversos e variam tanto em termos de gravidade, quanto em relação ao tempo que demoram para se manifestar – e tudo isso influencia no tratamento. Por isso, quanto mais preciso for o relato, mais fácil diagnosticar e tratar.

A boa notícia é que 90% das crianças superam a condição e vivem uma vida livre de alergias mais tarde.

O histórico clínico para diagnóstico da APLV

O diagnóstico da APLV depende dos sintomas apresentados pela criança. O primeiro passo, portanto, é realizar o histórico clínico. O pediatra fará uma investigação minuciosa sobre as reações, que deverá incluir:

  • Natureza dos sintomas: quais alimentos costumam causar as reações, segundo as observações feitas pelos pais
  • Frequência dos sintomas: eles aparecem sempre que a criança consome leite de vaca? São sempre os mesmos sintomas?
  • Tempo entre a ingestão do alimento e o aparecimento dos sintomas
  • Quantidade necessária de ingestão dos alimentos para causar as reações
  • Tipo de alimento ou forma de preparo que causa a reação
  • Descrição detalhada dos tipos de reações
  • Influência de outros fatores no aparecimento dos sintomas, como uso de medicamentos ou estresse.

A elaboração de um diário alimentar pelos pais, registrando todas as refeições do dia e as observações acima, é uma forma eficaz de auxiliar o profissional de saúde a traçar o diagnóstico. Durante a consulta, o pediatra irá questionar, ainda, se há histórico de alergia alimentar na família.

Exames em casos específicos

O próximo passo do diagnóstico será feito de acordo com o histórico clínico colhido pelo médico. Os testes cutâneos e a pesquisa de anticorpos IgE específicos – produzidos pelo corpo em certas reações alérgicas ao leite – costumam ser aplicados quando há suspeita de alergia alimentar IgE mediada ou mista. A primeira provoca sintomas imediatos, que surgem até poucas horas após a ingestão do leite materno, como urticária, angioedema, broncoespasmo e anafilaxia. A segunda pode provocar sintomas imediatos ou tardios, como dermatite atópica moderada a grave, vômito e refluxo.

O exame de sangue detecta a presença de anticorpos IgE específicos em reação a ingestão de determinados alimentos. Já o teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (TC - Prick Test) é realizado na pele, por meio de pequenas escoriações feitas pelo médico na pele do antebraço ou no dorso. Nesses arranhões, ele coloca substâncias extraídas de alimentos para observar, em poucos minutos, se há reações alérgicas locais.

No entanto, tais exames não são suficientes para fechar o diagnóstico da APLV. A partir da história clínica e dos testes (no caso das crianças com reações imediatas ou mistas), o médico irá definir se há ou não suspeita de alergia ao leite de vaca.

Retirada do leite de vaca e teste de provocação oral: como funcionam?

Quando a história clínica e o resultado dos exames apontam para APLV, a criança deverá adotar uma dieta isenta de leite e seus derivados para confirmar o diagnóstico. No caso de bebês amamentados, a mãe deve continuar amamentando, mas tem de cortar de sua alimentação os mesmos alimentos para evitar que a proteína do leite de vaca seja transmitida pelo leite materno.

O médico irá estabelecer quais alimentos deverão ser eliminados da dieta, pois ele pode escolher fazê-lo de forma progressiva, assim como o período de teste. Além da nova dieta, o profissional de saúde poderá sugerir o teste de provocação oral, bastante importante para confirmar o diagnóstico.

O procedimento deve ser realizado na presença do médico, em ambiente hospitalar ou ambulatorial. Assim, se a criança apresentar alguma reação, poderá ser imediatamente medicado. Além disso, apenas o profissional de saúde sabe identificar adequadamente os sintomas e a sua relação com a APLV.

O teste de provocação oral é simples: durante o exame, o leite é introduzido em pequenas doses, com aumento progressivo no volume. Esse mesmo teste de provocação oral é feito após um tempo de tratamento para verificar se a criança já se curou da alergia. Quando a inserção do leite e derivados na dieta não causar reação, é sinal de que a cura aconteceu.

Em todo esse tempo, a participação dos pais é muito importante, contribuindo com as observações feitas em casa e no dia a dia da criança. Afinal, o processo de diagnóstico da APLV pode ser trabalhoso e demorado. Mas, assim que estiver confirmado, o tratamento terá início e seu filho irá se sentir melhor aos pouquinhos. Nada como ver os nossos filhos saudáveis e felizes, não é mesmo?

Bibliografia: Sociedade Brasileira de Pediatria - Consenso Brasileiro Sobre Alergia Alimentar: 2018 e Alergia Alimentar - Uma Abordagem Prática, Mayo Clinic - Milk allergy - Diagnosis

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