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APLV tem cura: entenda como funciona o processo

A criança com alergia à proteína do leite de vaca pode desenvolver tolerância ao alimento se seguir o tratamento

Quando os nossos pequenos ficam doentes, só pensamos em vê-los saudáveis novamente. Mas no caso de condições como a alergia ao leite de vaca, a resposta pode não ser tão satisfatória em uma primeira consulta, já que o tempo da remissão dos sintomas varia de criança para criança.

Além disso, a condição pode se manifestar de diferentes formas, gerando sintomas diversos, e cada criança responde ao tratamento de uma forma. Portanto, sentir-se inseguro é compreensível. Mas afinal, será que APLV tem cura?

A resposta para a pergunta que não quer calar é sim! A APLV tem cura. No entanto, nem tudo é preto no branco. Na verdade, o tratamento da alergia ao leite de vaca deve ser realizado durante um período de tempo até que a criança desenvolva a tolerância ao leite. E, em 90% dos casos, elas conseguem voltar a consumir o alimento normalmente.

Cura da APLV: cada caso é um caso

De acordo com um relatório publicado em 2012 pela European Society of Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition (ESPGHAN), cerca de 50% das crianças com alergia à proteína do leite de vaca desenvolvem tolerância com um ano de idade; cerca de 75% até os três anos e 90% até completar seis anos.

No entanto, as alergias alimentares estão se tornando cada vez mais frequentes e persistentes ao longo dos anos. Portanto, ainda que as chances de a criança superar a APLV ainda sejam maiores do que a possibilidade de conviver com a condição ao longo da vida, pode ser que o pequeno simplesmente não desenvolva a tolerância.

Pode ser frustrante para os pais não saber se o pequeno irá ou não desenvolver tolerância ao leite de vaca e seus derivados. Por outro lado, é fundamental ser persistente e adotar as recomendações médicas ao longo do diagnóstico e do tratamento. Uma das formas de controlar a ansiedade é entender como a alergia ao leite de vaca funciona e o que significa a cura da APLV.

Como acontece o processo de cura

A APLV é, como o próprio nome diz, uma reação alérgica, causada pelo sistema imunológico, às proteínas presentes no leite de vaca e em seus derivados, como queijo, manteiga e iogurte. Quando a criança ingere os alimentos aos quais é alérgica, o seu sistema de defesa irá reconhecer as proteínas como prejudiciais e produzirá anticorpos IgE específicos e/ou células inflamatórias que acarretarão reações alérgicas. Diarreia, urticária, vômito, baixo ganho de peso e intestino preso são alguns dos sintomas possíveis.

Após o diagnóstico, o médico irá definir o tratamento, que envolve retirar da dieta o leite e seus derivados. Ao deixar de consumir o alimento que causa a alergia, o sistema de defesa não irá produzir as células e anticorpos responsáveis pelas reações alérgicas. Essa estratégia possibilita a remissão dos sintomas e, possivelmente, o desenvolvimento da tolerância ao leite no futuro. Isso ocorre quando o intestino da criança se recupera e amadurece o suficiente para poder se defender contra a entrada de proteínas que considerar estranhas.

Portanto, continuar oferecendo leite e seus derivados ao pequeno alérgico, na esperança de que ele desenvolva tolerância com o tempo, é um erro grave. A criança com APLV pode sofrer reações graves e persistentes. Mesmo quando as reações são moderadas, a condição pode prejudicar o seu ganho de peso, crescimento e desenvolvimento ao longo do tempo.

Assim, quando há uma criança alérgica na família, um dos primeiros passos é aceitar a existência da condição e garantir uma alimentação saudável, eficaz para o tratamento da alergia e nutricionalmente completa.

A mãe que amamenta uma criança com APLV deve continuar a amamentar, pois o leite materno é o melhor alimento para o desenvolvimento global do bebê. Ela deve, no entanto, seguir a dieta de exclusão de leite e derivados sugerida pelo médico.

Além disso, para que tenha sucesso, a adoção da dieta deve, dentro do possível, não excluir o pequeno do convívio social e nem prejudicar a harmonia da família.

Afinal, ainda que a dieta de restrição seja complicada e a ansiedade pela cura da APLV exista, é possível conviver com a nova rotina sem perder a qualidade de vida. Será preciso incorporar novos hábitos em conjunto, mas são eles que irão possibilitar a remissão dos sintomas e, possivelmente, a tolerância ao leite de vaca no futuro.

Bibliografia:S. Koletzo, B. Niggemann et al - Diagnostic Approach and Management of Cow’s-Milk Protein Allergy in Infants and Children: ESPGHAN GI Committee Practical Guidelines, Sociedade Brasileira de Pediatria - Consenso Brasileiro Sobre Alergia Alimentar: 2018, Alergia ao Leite de Vaca e Alergia Alimentar - Uma abordagem prática.

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