Guia APLV

Alergias alimentares na primeira infância estão mais graves e recorrentes

Quem tem filhos sabe: estamos sempre atentos a qualquer mudança em suas condições de saúde, principalmente nos primeiros anos de vida. Uma coceira ou vermelhidão na pele, vômitos que chegam sem aviso, fezes com rajadas de sangue… motivos suficientes para causar preocupação, não é? Tais sintomas podem indicar uma alergia alimentar.

As chances de nossos filhos serem alérgicos a alimentos como leite ou ovo têm se tornado maiores ao longo dos últimos anos. Hoje, no mundo todo, estima-se que cerca de 6% das crianças menores de três anos apresentam alergias alimentares, contra 3,5% dos adultos. Os dados variem de acordo com idade, características da população avaliada e outros critérios. Porém, é consenso entre os especialistas que a condição é cada vez mais prevalente.

Mas fique tranquilo: se o diagnóstico se confirmar e o seu filho realmente tiver alergia alimentar, você e sua família vão conseguir se organizar para lidar com a condição da criança, sempre com o apoio de profissionais de saúde e de pessoas confiáveis em seu círculo de amizades.

Está nesse processo? Então venha saber mais sobre a evolução da APLV nos últimos anos:

Uma questão de saúde pública

Atualmente, a alergia alimentar é reconhecida como um problema de saúde pública e, também, como uma epidemia: é considerada a “segunda onda epidêmica”, após a da asma. De acordo com estudos, cerca de 10% das crianças em países ocidentais, como a Austrália, quanto em países em desenvolvimento, como na China e em regiões da África, sofrem algum tipo de alergia alimentar.

Embora os adultos de hoje tenham sido a primeira geração a experimentar o aumento em grande escala das alergias alimentares, tais distúrbios ainda eram incomuns. Atualmente, além de as alergias serem mais prevalentes na infância, as pesquisas indicam que as crianças parecem ser menos propensas a superar a condição, sofrendo assim com consequências e implicações a longo prazo.

As razões para essa hipótese ainda não são bastante claras, mas acredita-se que estejam associadas ao estilo de vida moderno – isso inclui fatores como:

  • mudanças nos padrões alimentares: excesso de açúcares, gorduras, carboidratos e alimentos industrializados ou geneticamente modificados na dieta moderna poderia ser um dos culpados pelo aumento da incidência das alergias alimentares.
  • maior contato com poluição: devido à urbanização e industrialização.
  • menor exposição a alérgenos e micróbios: uma melhor higiene e o maior uso de antibióticos poderiam ser responsáveis por um sistema imunológico menos preparado e, portanto, mais suscetível às reações alérgicas.
  • parto cesárea: a maior prevalência de parto cesárea em relação ao. parto normal resulta em maior risco para o desenvolvimento de alergias.

Soma-se a isso os fatores de risco não modificáveis, como sexo e etnia: meninos negros são os mais propensos a apresentar alergia alimentar.

As alergias alimentares mais recorrentes entre crianças

Diversos alimentos podem causar alergias alimentares em crianças. No entanto, os listados abaixo são responsáveis por 90% das reações alérgicas na infância:

  • Leite
  • Ovo
  • Amendoim
  • Soja
  • Trigo
  • Castanhas (como nozes, pistaches e castanhas de caju)
  • Peixe (como atum, salmão e bacalhau)
  • Frutos do mar (como camarão e lagosta)

O corpo da criança alérgica a um desses alimentos reage, em geral, às proteínas presentes neles, como é o caso da Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Isso significa que o sistema imunológico reconhece aquele alimento como um corpo estranho e cria anticorpos para destruir os alérgenos presentes no alimento.

Assim, toda vez que o pequeno ingere o alimento ao qual é alérgico, seu organismo libera substâncias como a histamina, gerando reações alérgicas diversas, como no trato respiratório, no sistema gastrointestinal ou cardiovascular.

APLV: Alergia à proteína do leite de vaca

A alergia ao leite de vaca é a mais comum entre as alergias alimentares. A boa notícia é que, apesar disso, costuma causar reações menos severas e pode ser superada em boa parte dos casos até os cinco anos de idade. Alergias ao amendoim, nozes e frutos do mar, por exemplo, costumam causar reações mais severas.

Cerca de 50% das crianças com alergia à proteína do leite de vaca desenvolvem tolerância com um ano de idade; cerca de 75% até os três anos e 90% até completar seis anos, de acordo com um relatório publicado em 2012 pela European Society of Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition (ESPGHAN).

Em resumo, as alergias alimentares estão mais graves, prevalentes e persistentes hoje, mas têm cura. Seguir as recomendações médicas ao longo do tratamento é fundamental para ajudar a criança a superar essa condição tão recorrente e incômoda nos primeiros anos de vida. Tem outras dúvidas sobre sintomas, tratamento e como lidar com uma criança com alergia alimentar? Acompanhe o nosso conteúdo.

Bibliografia:Sociedade Brasileira de Pediatria - Consenso Brasileiro Sobre Alergia Alimentar: 2018 e Alergia Alimentar - Uma Abordagem Prática, American Academy of Pediatrics - Food Allergies in Children, John Hopkins Medicine - Food Allergies in Children, Prescott S e Allen KJ - Food allergy: riding the second wave of the allergy epidemic, Wenyin Loh e Mimi L. K. Tang - The Epidemiology of Food Allergy in the Global Context

RECEITA EM DESTAQUE:

Brigaderão

Brigaderão