Mitos e verdades

Agora todo mundo tem APLV e refluxo?

Agora todo mundo tem APLV e refluxo?

10/10/2012

É verdade que o número de diagnósticos de APLV tem aumentado, mas isto não significa que o número de crianças com esta condição clínica tenha aumentado. Não há dúvida que a prevalência de doenças alérgicas em pediatria aumentou em geral, mas a maioria dos estudos continua colocando uma prevalência de APLV na ordem de 2 a 5% dos lactentes.

Na medida em que mais crianças são expostas precocemente ao leite de vaca isto pode elevar a prevalência.

Grande parte dos lactentes apresentam RGE fisiológico nos primeiros meses de vida, com episódios de regurgitação, na maioria das vezes não associados a sinais ou sintomas de complicações ou comprometimento nutricional. Entre 3 e 4 meses de vida, é descrito que 70% dos lactentes apresentem sintomas de RGE.

Sendo o RGE e a APLV duas condições prevalentes, não é de surpreender que muitas crianças tenham ambas as condições.

Na verdade uma pode interferir na outra, explico: os sintomas de RGE tem levado a muitos pediatras iniciarem inibidores de bomba de prótons ou bloqueadores H2 nestes lactentes, sendo que a redução da secreção ácida pode interferir na digestão proteica e consequentemente aumentar a exposição intestinal de proteínas ainda com epítopos alergênicos, favorecendo o desenvolvimento de resposta antigênica a estas proteínas. Por outro lado, crianças com alergia às proteínas do leite de vaca desenvolvem alterações motoras no trato digestório superior, com redução do esvaziamento gástrico, o que promove piora do RGE.

Sendo APLV de prevalência alta em lactentes, é recomendável que em lactentes com RGE sintomático, sempre se pense neste diagnóstico, submetendo a criança a um período de pelo menos 2 semanas de dieta de exclusão para confirmar ou descartar esta hipótese diagnóstica.

Assim, RGE e APLV são sim frequentes em lactentes e devem ser manejados com cautela para melhorar os sintomas que estas crianças apresentam.

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